1. A Renegociação entre Publishers e Big Techs
Uma reportagem recente do The Wall Street Journal, repercutida pelo O Globo, trouxe à tona um movimento interessante: grandes veículos de mídia estão reavaliando seus acordos com empresas como o Google. USA Today, The Economist, Reuters e até o Reddit estão discutindo novos termos para o uso de seu conteúdo no treinamento de modelos de IA.
Contexto: com o Google entregando respostas cada vez mais completas direto na página de busca (os chamados AI Overviews), o tráfego orgânico que antes ia para os sites originais tem diminuído. Dados da Semrush apontam quedas expressivas no tráfego vindo do Google para alguns portais ao longo do último ano.
O que isso significa na prática? Não é que o SEO morreu ou que o Google deixou de ser relevante. Mas é um lembrete importante de que depender excessivamente de uma única fonte de tráfego sempre foi um risco — e esse risco está mais evidente agora. Mídias proprietárias, comunidades engajadas e estratégias de distribuição diversificadas ganham ainda mais importância nesse cenário.
2. A IA como Ferramenta nas Redações
Do outro lado dessa equação estão as próprias redações. A pesquisa State of the Media 2025, da Cision, mostra que 53% dos jornalistas já utilizam ferramentas de IA generativa em suas rotinas — principalmente para triar e-mails, resumir documentos, transcrever entrevistas e fazer pesquisas preliminares.
Isso não substitui o jornalista, mas muda a dinâmica do trabalho. Para assessores de imprensa e profissionais de RP, o desafio agora é duplo: o conteúdo precisa ser relevante tanto para o algoritmo que faz a triagem inicial quanto para o profissional que vai efetivamente apurar a pauta.
Na prática, o que muda? O diferencial continua sendo o mesmo: curadoria, leitura de contexto e relacionamentos sólidos com jornalistas. A IA acelera processos operacionais, mas a construção de confiança e a capacidade de identificar histórias com real valor editorial continuam sendo essencialmente humanas.
3. A Comunicação como Estratégia Central
Um terceiro movimento, mais amplo, tem ganhado força especialmente no setor industrial e B2B: a comunicação deixando de ser uma função de apoio para se tornar parte central da estratégia de negócios.
Análises recentes do mercado brasileiro mostram que, em um ambiente cada vez mais digital e orientado por informação, competitividade vai muito além de escala produtiva, eficiência operacional ou preço. Marcas precisam saber comunicar valor de forma clara, traduzindo atributos técnicos em benefícios tangíveis para o público.
O ponto central: não se trata de abandonar a técnica ou simplificar demais o conteúdo. É sobre traduzir complexidade em clareza, mostrando não apenas o que um produto ou serviço faz, mas por que ele importa. A boa narrativa revela o valor humano por trás da especificação técnica.
O Que Fica Desse Panorama?
Olhando para esses três movimentos em conjunto, algumas conclusões se destacam:
- Diversificação é estratégica. Depender de uma única plataforma ou canal sempre foi arriscado. Agora, com as mudanças nos algoritmos e no comportamento das plataformas, ter múltiplos pontos de contato com o público se torna ainda mais importante.
- Tecnologia como ferramenta. A IA está transformando processos operacionais — tanto nas redações quanto nas agências. O diferencial competitivo continua sendo a inteligência estratégica, a curadoria crítica e a capacidade de construir relacionamentos genuínos.
- Comunicação como ativo estratégico. Em um mercado cada vez mais competitivo e orientado por informação, saber comunicar valor de forma clara e relevante deixou de ser um diferencial e virou requisito básico para marcas que querem se posicionar com autoridade.
Adaptando a Estratégia à Nova Realidade
Nada disso exige uma reinvenção radical da sua estratégia de comunicação. Mas exige ajustes e uma leitura mais atenta do cenário:
- Audite suas fontes de tráfego: Você depende excessivamente de uma única plataforma? Que outros canais podem fortalecer sua distribuição?
- Reavalie sua abordagem com a imprensa: Seus materiais estão estruturados para passar tanto por filtros algorítmicos quanto pelo crivo humano dos jornalistas?
- Invista em narrativas de valor: Sua comunicação traduz atributos técnicos em benefícios tangíveis para o público?
Conclusão
O mercado de comunicação está passando por ajustes importantes, impulsionados pela IA e pelas mudanças no comportamento de plataformas, redações e público. Não é uma ruptura, mas uma evolução — e quem se adaptar a essa nova realidade estará melhor posicionado para os próximos anos.
Na Agcomunicado, acompanhamos essas transformações de perto e ajudamos marcas a ajustar suas estratégias de comunicação para esse novo cenário. Se você quer conversar sobre como esses movimentos impactam o seu negócio e quais ajustes fazem sentido para a sua realidade, estamos à disposição.
Agcomunicado | Inteligência Estratégica em Comunicação
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