Quando alguém pergunta a uma inteligência artificial sobre determinada empresa, diferentes fontes podem participar dessa construção. E é justamente aí que surge uma questão importante para a comunicação corporativa: não basta que uma empresa fale sobre si mesma. O que outras fontes publicam a seu respeito também influencia como ela será encontrada e apresentada nas respostas geradas por IA.
Essa mudança amplia o alcance do trabalho de assessoria de imprensa, sem alterar aquilo que sempre foi essencial à atividade: oferecer informações relevantes, manter boas relações com jornalistas e contribuir para a compreensão dos assuntos que interessam à sociedade.
O que as inteligências artificiais utilizam como fonte?
Uma pesquisa internacional publicada pela Muck Rack em maio de 2026 analisou mais de 25 milhões de links citados em respostas de ChatGPT, Claude e Gemini, considerando 17 setores de atividade.
O estudo identificou que 84% das citações pertenciam à categoria de earned media, uma classificação abrangente que inclui conteúdo jornalístico e outras fontes externas. Dentro do total analisado, o jornalismo representou 27%, enquanto materiais pagos e publieditoriais responderam por apenas 0,3%.
Os percentuais não significam que os sistemas de IA consultem exclusivamente notícias ou que todo conteúdo publicado pela imprensa seja automaticamente considerado confiável. Eles mostram, porém, a participação expressiva de informações produzidas fora dos canais publicitários no conjunto de links citados pelas ferramentas pesquisadas.
Para as empresas, o resultado traz uma implicação prática. Uma reportagem que explica uma mudança no mercado, uma entrevista com um executivo ou uma análise técnica publicada por um veículo especializado pode se tornar uma referência disponível para consultas futuras.
A presença na imprensa, portanto, pode contribuir não apenas para alcançar leitores, mas também para ampliar o conjunto de informações públicas sobre uma organização.
Por que produzir mais conteúdo já não é suficiente?
A inteligência artificial tornou mais simples escrever artigos, preparar apresentações e adaptar informações para diferentes canais. Atividades que antes exigiam horas de trabalho podem ser realizadas em muito menos tempo.
O ganho de produtividade é evidente. O problema aparece quando essa facilidade é confundida com qualidade.
Se dezenas de empresas publicam versões semelhantes de um mesmo assunto, o leitor encontra pouca informação nova. A quantidade aumenta, mas nem sempre o conhecimento acompanha esse crescimento.
Uma análise publicada pelo Valor Econômico aborda justamente a perspectiva de expansão do conteúdo de baixa qualidade com o avanço dos agentes de IA.
Para a comunicação empresarial, vale fazer uma pergunta antes de produzir qualquer material: o que temos a acrescentar que ainda não está sendo dito? O que temos a dizer?
O jornalismo continua importante na era da IA?
Sim. Embora as ferramentas de inteligência artificial possam localizar, organizar e resumir informações, isso não substitui o trabalho de verificar fatos, ouvir fontes, investigar acontecimentos e decidir o que merece ser publicado.
Em setembro de 2026, mais de mil redações e organizações de diferentes países participaram de uma mobilização internacional pelo Dia Mundial do Jornalismo. A campanha procurou mostrar ao público o trabalho realizado antes da divulgação de uma notícia e a importância de preservar o jornalismo baseado em fatos.
A discussão interessa diretamente às empresas. Uma organização pode fornecer informações, compartilhar pesquisas e disponibilizar especialistas, mas cabe à imprensa avaliar a relevância desses conteúdos, confrontar dados quando necessário e decidir sobre sua publicação.
Essa independência é parte do valor do jornalismo. Também explica por que conquistar espaço editorial é diferente de comprar publicidade.
A assessoria de imprensa atua nessa relação, aproximando fontes e jornalistas e identificando assuntos que possam contribuir para a cobertura de determinado mercado.
Como a assessoria de imprensa pode contribuir para a presença das marcas nas IAs?
A primeira contribuição é ajudar a empresa a identificar o que realmente merece ser compartilhado com o público. A segunda é trabalhar a qualidade das informações. A terceira é construir continuidade. E a quarta é a frente de acompanhamento, de monitoramento de imprensa e de atuar estrategicamente para que a marca seja mencionada pelas IAs., trabalhando a reputação nestes canais digitais.
Como usamos a inteligência artificial na Agcomunicado
Na Agcomunicado, a IA já integra nossa rotina profissional. Utilizamos a tecnologia como apoio à pesquisa, à análise de informações, à identificação de oportunidades e ao desenvolvimento de estratégias e conteúdos de comunicação.
Isso não significa entregar as decisões à tecnologia. Nosso trabalho combina os recursos da inteligência artificial com experiência em comunicação corporativa, conhecimento dos mercados em que atuamos e relacionamento com a imprensa.
A tecnologia nos ajuda a trabalhar com mais agilidade e profundidade. O critério profissional define o que fazemos com essas possibilidades.
Essa distinção é fundamental. Usar IA de maneira estratégica não é simplesmente automatizar tarefas. É saber quando utilizá-la, como interpretar os resultados e quais decisões precisam permanecer sob avaliação humana.
Reputação se constrói com informação relevante
A inteligência artificial está criando novos caminhos entre quem procura uma informação e as fontes que podem fornecê-la. Uma empresa pode ser pesquisada, comparada ou mencionada em uma resposta sem que o usuário tenha visitado primeiro seu site.
Isso torna ainda mais importante cuidar da qualidade das informações disponíveis sobre a marca e compreender o papel da imprensa nessa construção.
Há um trabalho consistente: produzir informações úteis, participar de discussões relevantes, manter uma presença editorial qualificada e acompanhar como a organização é apresentada nos ambientes digitais.
E a sua empresa? Sabe quais informações ajudam a construir essa percepção?
Na Agcomunicado, unimos assessoria de imprensa, comunicação estratégica e uso profissional de inteligência artificial para ajudar empresas a comunicar o que realmente importa, com relevância e credibilidade.